sábado, 3 de outubro de 2015

Direito de voto

Passei aqui para relembrar que o direito de voto não nasceu com a criação do mundo. Principalmente para as mulheres. Deu muito trabalho, foi preciso coragem e resiliência. Já não faço um esforço para perceber o desdém que algumas pessoas têm pelas questões politicas, sociais e pelo direito de voto. Acho que ou é por egoísmo ou por ignorância. 
Para o caso de optarmos pela 2ª hipótese ainda existe solução.Deixo aqui a foto da 1ª mulher a votar em Portugal, a Carolina Beatriz Angêlo, e um link com uma pequena informação. Pode ser que alguém sinta curiosidade, se informe, e quem sabe siga o bom exemplo.

http://www.fcsh.unl.pt/facesdeeva/eva_arquivo/revista_11/eva_arquivo_numero11_j.html

























terça-feira, 26 de maio de 2015

É para olhar sempre para o lado bom da vida!

É pena não podermos ser crianças por mais tempo. É pena porque enquanto crescemos a nossa forma de ver o mundo muda significativamente. É pena porque deixamos para trás a ingenuidade e a inocência. É pena porque à medida que nos tornamos adultos ficamos também mais angustiados e pouco tolerantes com aquilo que não podemos mudar.
Temos medo que o tempo se esgote. Passamos a dramatizar tudo. Deixamos de passar pelas coisas com o desprendimento que elas merecem. Ser adulto é, demasiadas vezes, viver motivado pela busca inglória da organização do nosso dia-a-dia. Se o momento é complicado desejamos que passe depressa, se o momento é bom quem nos dera que nunca acabe.
As crianças não são assim. Vivem tudo da mesma maneira. Sem angustia, sem ansiedade, sem pressa. As crianças só reparam no lado bom da vida e desarmam-nos muitas vezes com a sua simplicidade.
Uma família que me é muito querida mudou de casa. A confusão estava instalada. Caixotes a monte, sacos por todo o lado, móveis para montar. A primeira noite na casa nova foi, como seria de esperar por qualquer adulto que se preze, um caos! Estava tudo fora do sitio, parecia que tinha passado um furação por aqueles lados. Era difícil manter a calma porque estava tudo desarrumado. A mais nova, que está perto de completar 3 anos, acordou no dia seguinte, chegou à sala e disse: “ooh a sala está tãããooo lindaaaa!”.
As crianças são assim, para elas o mundo é um grande balão colorido e feliz. Olham sempre para bom da vida.

No meu caso, como é óbvio e até compreensível, a minha condição de adulta obriga-me a ter demasiados momentos de verdadeira responsabilidade e ansiedade, vai daí que, sempre que posso aproveito e deixo a minha criança interior tomar os comandos da situação e vingo-me. Brinco com a minha sobrinha de 2 anos e meio de tal forma que fico sempre com a sensação que ela acha que eu também sou uma criança e que apenas nos distingue o facto de eu ser bem mais alta do que ela e que isso é bom porque assim consigo chegar com muito mais facilidade às prateleiras dos brinquedos.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

O condutor-salvador

De manhã bem cedo, uma lorpa e alarve condutora saiu para a estrada ao volante de um automóvel e por pouco não levou a frente do nosso carro.
Apanhei um susto.
Mais à frente, um senhor de idade avançada atravessava calmante e na diagonal as 4 faixas de rodagem de uma estrada movimentada que dá acesso a uma via rápida. Vinha descontraído caminhado na direcção do meu carro em plena faixa de rodagem. 
Haja paciência e sorte. 
Pensámos que realmente as pessoas são imbecis, incivilizadas, mal educadas e principalmente estúpidas.
Mais à frente, em pleno IC19, o trânsito estava a parar. Pensei eu "acidente. mas porque é que vim por aqui???" A primeira coisa que vi e de forma breve foi um casal a dar um abraço e a entrar no seu carro no outro sentido. 
Temi o pior. Mas o universo encarregou-se de me tranquilizar. 
Logo à frente passei por um carro parado na berma e pelo seu condutor que tinha ao colo um pequeno cão que andava perdido e assustado e que tinha acabado e salvar. 
Afinal, pensei eu, apesar de tudo devemos lembrar e registar que a humanidade e a bondade continuam a fazer parte da natureza humana e que estas estão em todos os nossos pequenos gestos e atitudes. Não sei se aquela pessoa terá as melhores atitudes em todas as situações da sua vida, mas ainda assim, obrigada ao condutor-salvador. Não me sai da cabeça a imagem do homem com o cão ao colo, a abrir a porta do carro e a colocá-lo no banco de trás. Fiquei feliz! 


quinta-feira, 19 de março de 2015

Chegadas



Cheguei ao aeroporto cheia de fome e fui direitinha ao balcão do café. Fiz o meu pedido e como ainda faltavam 20 minutos para a hora, escolhi uma mesa mesmo à beira do corredor em frente à porta das chegadas. Estrategicamente sentada porque dava para ver muito bem quem chegava, que na verdade era tudo o que me interessava nesse momento, coloquei-me de costas para as outras mesas.
Enquanto comia tranquilamente percebi que, atrás de mim, todas as outras mesas estavam ocupadas por homens. Todos virados no mesmo sentido e para a mesma parede lateral. Os que chegavam ajeitavam os pequenos sofás e procuravam lugares no mesmo sentido.
Passavam outros no corredor mesmo à minha frente, abrandavam e olhavam para a parede atrás de mim. Fixando o olhar por cima da minha cabeça, como se eu nem sequer estivesse ali sentada.

Foi um desassossego. Escolhi eu um lugar com vista panorâmica para a chegada e quando percebi indivíduos variados instalavam-se por ali, ficavam embasbacados e tapavam o meu campo de visão. Passageiros que chegavam, outros que tal como eu esperavam, funcionários do aeroporto também iam espreitar de vez em quando. Quando comecei a ouvir as expressões “cooooxo!!!”, “como é que é possível?!” ou “eeeh, aos 6 minutos já estão a ganhar” virei-me e confirmei a minha desconfiança…era um jogo de futebol! Ainda assim, depois de perceber a razão para aquele estado de assombro, inércia e entorpecimento, não deixei de me assustar quando vi um agente da policia dirigir-se a mim em passos largos e parar mesmo em frente à minha mesa…quase me saiu “o que é que eu fiz sr. Agente?” mas a tempo lembrei…a única coisa que fiz foi escolher uma mesa e sentar-me numa esplanada de um café que oferece aos seus clientes um ecrã gigante em dia de futebol…nada que me ponha em risco de ser multada, felizmente!

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

O amola-tesouras

Era fim de semana. Levantei-me de manhã, quer dizer, não era bem manhã era quase meio-dia. Ainda assim fui fazer o pequeno-almoço.
Estava de pé junto à mesa a preparar as torradas e de repente ouvi um som que me fez viajar para trás no tempo. O inconfundível e estridente som da gaita de beiços, o amola tesouras estava na rua!
Nem queria acreditar. Fui à janela e lá ia ele a subir a rua empurrando uma bicicleta.
Morei muitos anos na cidade e quando era pequena, a praceta era diferente, as pessoas eram diferentes, o quotidiano era diferente. Era toda uma vida diferente! Como diz a minha mãe.
O amola tesouras passava regularmente por lá, normalmente ao fim de semana. Lembro-me que não andava de bicicleta, empurrava um carrinho de madeira com uma roda enorme. Afiava facas, tesouras e arranjava chapéus-de-chuva. Deixou de ser uma figura habitual. Coisas que acontecem com o progresso.

Agora moro numa zona marcadamente rural. Há o sapateiro, o barbeiro, a costureira, a oficina das bicicletas, a sociedade recreativa, ouço os gansos e os passarinhos, e agora também, o amola tesouras.


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

A sinceridade

Aqueles momentos em que levo a minha filha à escola são muitas vezes aproveitados para mais dois dedos de conversa fiada. Hoje por exemplo, fomos a falar sobre os descobrimentos e a loucura que foi o século XV para os portugueses marinheiros aventureiros. 
Mas ontem, ontem a conversa foi outra.
O carro parado no semáforo vermelho e pergunta ela:
-Mãe, estás a ver aquelas duas raparigas gémeas ali, que idade achas que têm?
Eu olhei à procura, vi as miúdas a atravessar a estrada e disse:
-Bem, talvez tenham uns 15 anos.
-Só 15?? Não sei mãe...acho que parecem muito mais velhas!
Eu não perdi a oportunidade para me tentar afirmar e fiz a conversa aborrecida de mãe chata:
-Pois é natural. São miúdas mas querem parecer mais velhas, maquilham-se e vestem-se como as adultas. Um dia, quando forem mais velhas vão querer andar vestidas como as miúdas e parecer mais novas.
A resposta dela superou as minhas expectativas:
-Pois mãe, é como tu fazes agora!  

Fiquei sem argumentos perante tanta sinceridade.
Desabafei "anda uma mãe a criar uma filha para ouvir destas coisas"! e ela riu-se!



domingo, 26 de outubro de 2014

Efeito Surpresa

Gosto de fazer surpresas e decidi preparar uma.
A minha rica prima M. fez anos há algum tempo e depois de investigar muito, resolvi oferecer-lhe uma garrafa de uma bebida da moda. Há umas semanas atrás, durante um jantar de aniversário num restaurante, ela tentou convencer o empregado a dar-lhe uma garrafa de gin, vazia, que estava a enfeitar as mesa onde jantávamos. Não foi bem sucedida! Nesse dia resolvi oferecer-lhe uma igual, mas cheia. 
Comprei-a e a dúvida era, como embrulhar a garrafa de modo a que não se perceba o que é antes de ver o embrulho.
Ora sendo que na véspera eu e o P. fomos àquela loja sueca onde vendem móveis que parecem legos e comprámos um candeeiro, ficámos com uma caixinha de cartão a mais, vazia e do tamanho ideal para a garrafa. 
Boa ideia, a garrafa dentro da caixa e ela vai pensar que é um objecto para decorar a casa!
Dei-lhe o presente, ela desembrulhou, viu um autocolante com a imagem do candeeiro e exclamou: "Aaaah como é que adivinhaste que eu queria este candeeiro? é super giro! Leste os meus pensamentos?!" enquanto a M. retirava o papel pardo onde embrulhei a garrafa para não se partir e enquanto eu ficava com cara de espanto e sem saber o que dizer.

Em segundos breves pensei: "Ela vai ficar desiludida, e agora? queria mesmo o candeeiro, porra!" fiquei em silêncio e quase em estado de choque!
"AAAH que fixe, a garrafa que eu queria!!!", disse ela entre gargalhadas. 

Foi uma surpresa a dobrar porque antes da surpresa dela, a surpreendida fui eu. Salvou-se a situação, temos mais uma história de família para recordar, ela adorou a garrafa e já sei o que lhe vamos oferecer no Natal.