terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Bee Movie 2 ?

Um dia destes íamos no carro a caminho de um almoço de família e reparámos numa abelha agarrada ao vidro. Decidi (em conjunto com a minha filha) que iríamos continuar caminho e que não ia ligar os limpa brisas para não espalmar a abelha e seguimos caminho sempre com a abelha ali agarrada com unhas e dentes. 

Comentámos "olha que giro hein, parece que estamos na sequela do filme Bee Movie,será que fala?". 
Como não queríamos matar a abelha decidimos deixar que a natureza seguisse o seu curso e deixar que o vento a levasse.

Entrámos na autoestrada, fizemos 24 Kms sempre a 70-80Kms/h até ao destino sempre com a criaturinha colada teimosamente ao vidro. Nos últimos kms começou a chover, não eu liguei os limpa brisas porque mantive-me fiel aos princípios e ao que tínhamos combinado e não quis matar a desgraçadinha. 

Quando chegámos, peguei um bocado de papel, tirei a bichinha e deixei-a no tronco de uma árvore. Não quero saber se as abelhas falam, têm nome ou têm família como no filme, mas são bichos incríveis, fazem mel e mais importante...polinizam. São essenciais para o equilíbrio do ecossistema e se deixarem de existir, a vida na terra desaparece em pouco tempo. Adoro abelhas!

Pode ter passado um pardal guloso que a viu, gordinha, ali mesmo a jeito na árvore, a achou apetitosa e a comeu, mas gostamos de acreditar que sobreviveu.






quarta-feira, 19 de outubro de 2016

uma volta de 360º

Com certeza já ouviram falar de situações em que alguém que recebe um presente o acha tão, mas tão giro que o resolver guardar para oferecer a outra pessoa num ocasião apropriada.

Tenho uma tia que comprou  para oferecer a uma cunhada num Natal longínquo um lenço pequenino de pano com bordado da Madeira, daqueles que vinham dobrados numas caixas baixinhas com tampa de plástico transparente.

Nesse Natal foi o presente para a cunhada, o lenço bordado. Ora sucede que a cunhada ao ver o presente muito provavelmente pensou que seria ideal para oferecer a outra pessoa, talvez num aniversário ou no próximo Natal. E o bom do lenço foi mais tarde o presente para uma sobrinha.

Esta sobrinha, que por acaso é prima em 2º grau da primeira interveniente nesta história, seguiu os passos da proprietária anterior e guardou o lenço para, quem sabe, oferecer a alguém que de certeza o iria apreciar.

Tanta vontade tinham de ficar com o lenço, tanto gostaram do lenço que o foram oferecendo umas às outras. O resultado foi que a tia que comprou o lenço acabou por o receber, num Natal 2 anos depois, como presente da prima em 2º grau. 

O lenço deu uma volta de 360º

Aviso: Se quiserem experimentar estas coisas de re-oferecer coisas, assegurem-se que o fazem a alguém que não seja da família. Diminui a probabilidade de haver uma situação tipo presente-boomerang. 



terça-feira, 18 de outubro de 2016

Uma mãe não pode parecer demasiado nova

Mais uma prova de que uma mãe nunca é fixe demais foi uma breve conversa com a minha filha

- Sabes, estou a pensar ir cortar o cabelo e vou fazer franja. Apetece-me cortar a franja outra vez.
- ó mãe não cortes franja. depois ficas demasiado nova!!!


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

As coisas que as crianças nos ensinam I

Fui às compras a uma grande superfície e resolvi ir comprar fruta. Meti umas quantas bananas num saco e vi que para as pesar teria que me dirigir a um daqueles sistemas de balanças self-service. Pânico! Eu em frente à balança, sem instruções, sem desenhos indicativos e de repente aparece ao meu lado um miúdo que devia ter uns 10 anos e carrega nuns botões, põe a balança a funcionar, retira a etiqueta com o preço e cola no meu saco.
Eu com o meu melhor sorriso agradeço e o miúdo volta para o pé do pai que estava ali a 3 passos a escolher não sei o quê. Eis então que ouço “queres ir preencher a ficha de candidatura para vires trabalhar para aqui?” levanto a cabeça e reparo que o miúdo ficou espantado a olhar para o pai que continua ”sim, a pesares fruta! Podes vir trabalhar para aqui. Ah! Mas primeiro tens que estudar ouviste?”
Eu não consegui ficar calada, fui buscar outro saco com fruta para pesar, fui novamente para a balança e disse “Ele só estava a ser gentil, e isso fica sempre bem! Foi muito simpático!”

O homem ficou encavacado, do tamanho de uma ameixa igual às que eu trazia para pesar, e esboçou um sorriso envergonhado. O miúdo viu-me outra vez junto à balança, veio outra vez ao pé de mim, e desta vez até fiz questão e disse-lhe: “queres ver que me vais ajudar outra vez?! Ele pesou as ameixas que eu trazia, tirou a etiqueta e colou-a no saco. Eu agradeci-lhe num tom de voz mais elevado e fiz um sorriso ainda maior. O miúdo sorriu e foi embora à vida dele. 

Espero que continue a ser cortês, generoso e bem educado. E que o pai aprenda com o filho, que as crianças têm sempre muito para ensinar. Boa miúdo!!



segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Heróis

Hoje de manhã tivemos a noticia da morte do músico David Bowie. tinha 69 anos e lançou o último álbum na semana passada. O homem é um símbolo de uma geração. Era excêntrico, cortava o cabelo de forma arrojada, pintava-o de cor fortes. Havia uma certa ambiguidade na sua sexualidade, tinha um olho de cada cor, mudou inúmeras vezes ao longo da carreira e a sua música também. Ninguém ficava indiferente à sua irreverência e ao seu talento. Era brilhante.

Muita gente vai dizer "Isto é que é boa música", " não há música como antigamente", "no meu tempo é que se fazia boa música". Reacções compreensíveis, aliás ouvia-as muitas vezes dos meus tios mais velhos e dos meus pais e de vez em quando ainda ouço. Por exemplo, quando morreu o Francisco José, o Tony de Matos, a Amália...os cantores que os meus tios ouviam na rádio (era o que havia meus caros, não esquecer que nos anos 30, 40, 50 mal se ouvia rádio quanto mais pensar em TV, ah...e Internet era coisa de ficção cientifica) ou quando desapareceram os Beatles, quando morreu o Elvis, o Scott Mckenzie, o Freddie Mercury ou o António Variações.

Parece-me que o padrão aqui é o de termos que lidar com o facto de ter desaparecido mais uma referência, estarmos a ficar mais velhos e de que as coisas mudam (para melhor ou pior depende da expectativa de cada um) e é apenas isso. Acabei por me lembrar de uma música de 1979 Video killed the radio star dos Buggles. É tudo uma questão de mudança, de dinâmica social. Mal tivemos tempo para dizer CD killed the video star quando avançamos logo para outro nível MP3 killed the CD Star. No tempo em que o David Bowie apareceu fazia-se a música que se queria, aliás fazia-se tudo o que se podia e o lema sexo, drogas e rock n'roll não é nenhum mito. Foi a libertação, vai daí era a loucura e quem podia fazia a musica (e não só) que queria. Depois, os anos 80 e 90 foram um bocadinho diferentes, muitas bandas ou cantores que se lançaram com um grande sucesso e depois...puf...já ninguém quis saber deles.

Agora os adolescentes não são melhores nem piores do que os que ouviam David Bowie. As músicas que gostam de ouvir hoje também não. Vou dizer que são, vá...diferentes. Diferentes tal como a sociedade em que crescem hoje, só isso! Ele é a Internet, os smartphones, as redes sociais, o consumismo e a necessidade de ter sucesso e gerar milhões...money makes the world go round. Resta-nos aceitar as novidades, aprender com elas, e continuar ouvir a música do nosso tempo para manter a ligação e as referências, e "sorrir e acenar, sorrir e acenar" como os pinguins do filme de animação Madagáscar.

Hoje há uma geração particularmente triste, e é a minha geração. Não é a geração do CD, nem a do smartphone. É a geração do vinil. E na verdade acho que o pior de tudo nem foi a noticia triste. O que custa mesmo é percebermos que estamos a ficar mais crescidos, que os nosso ídolos estão a desaparecer, que vamos perdendo as referências e que estamos a ser ultrapassados. O pior é lidar com o facto de estarmos cada vez mais longe do século XX.

Sinceramente, hoje estou triste porque morreu uma pessoa cuja música faz parte da minha adolescência. Mas ao mesmo tempo estou contente porque hoje descobri músicas que não conhecia. Contente porque tenho Internet e pude ouvir 2 álbuns seguidos. Contente porque a minha filha, que é uma jovem no principio da adolescência, conhece o David Bowie, embora naturalmente goste mesmo bué dos ídolos que fazem parte da cena actual. Contente porque hoje a banda sonora do dia foi o álbum Diamond Dogs e estou a ouvir agora o Hunky Dory. Bem vista as coisas, há que dizer com frontalidade...boa musica é a dos anos 70!!!



sábado, 3 de outubro de 2015

Direito de voto

Passei aqui para relembrar que o direito de voto não nasceu com a criação do mundo. Principalmente para as mulheres. Deu muito trabalho, foi preciso coragem e resiliência. Já não faço um esforço para perceber o desdém que algumas pessoas têm pelas questões politicas, sociais e pelo direito de voto. Acho que ou é por egoísmo ou por ignorância. 
Para o caso de optarmos pela 2ª hipótese ainda existe solução.Deixo aqui a foto da 1ª mulher a votar em Portugal, a Carolina Beatriz Angêlo, e um link com uma pequena informação. Pode ser que alguém sinta curiosidade, se informe, e quem sabe siga o bom exemplo.

http://www.fcsh.unl.pt/facesdeeva/eva_arquivo/revista_11/eva_arquivo_numero11_j.html

























terça-feira, 26 de maio de 2015

É para olhar sempre para o lado bom da vida!

É pena não podermos ser crianças por mais tempo. É pena porque enquanto crescemos a nossa forma de ver o mundo muda significativamente. É pena porque deixamos para trás a ingenuidade e a inocência. É pena porque à medida que nos tornamos adultos ficamos também mais angustiados e pouco tolerantes com aquilo que não podemos mudar.
Temos medo que o tempo se esgote. Passamos a dramatizar tudo. Deixamos de passar pelas coisas com o desprendimento que elas merecem. Ser adulto é, demasiadas vezes, viver motivado pela busca inglória da organização do nosso dia-a-dia. Se o momento é complicado desejamos que passe depressa, se o momento é bom quem nos dera que nunca acabe.
As crianças não são assim. Vivem tudo da mesma maneira. Sem angustia, sem ansiedade, sem pressa. As crianças só reparam no lado bom da vida e desarmam-nos muitas vezes com a sua simplicidade.
Uma família que me é muito querida mudou de casa. A confusão estava instalada. Caixotes a monte, sacos por todo o lado, móveis para montar. A primeira noite na casa nova foi, como seria de esperar por qualquer adulto que se preze, um caos! Estava tudo fora do sitio, parecia que tinha passado um furação por aqueles lados. Era difícil manter a calma porque estava tudo desarrumado. A mais nova, que está perto de completar 3 anos, acordou no dia seguinte, chegou à sala e disse: “ooh a sala está tãããooo lindaaaa!”.
As crianças são assim, para elas o mundo é um grande balão colorido e feliz. Olham sempre para bom da vida.

No meu caso, como é óbvio e até compreensível, a minha condição de adulta obriga-me a ter demasiados momentos de verdadeira responsabilidade e ansiedade, vai daí que, sempre que posso aproveito e deixo a minha criança interior tomar os comandos da situação e vingo-me. Brinco com a minha sobrinha de 2 anos e meio de tal forma que fico sempre com a sensação que ela acha que eu também sou uma criança e que apenas nos distingue o facto de eu ser bem mais alta do que ela e que isso é bom porque assim consigo chegar com muito mais facilidade às prateleiras dos brinquedos.